
O surto do vírus Marburg, da família do Ebola, foi confimado na Tanzânia, na África Oriental, pelas autoridades sanitárias, nesta terça-feira (21). Até o momento, 13 casos foram diagnosticados e cinco mortes foram confirmadas no país. Mas quais são as chances de a doença chegar a Santa Catarina?
A infectologista Caroline Acquaro afirma que, a princípio, as chances são muito baixas de o vírus chegar ao Brasil, já que o surto está localizado em alguns países da África.
“Já houve outros surtos semelhantes do Marbug, bem como o Ebola. Como é uma doenca de transmissão em contato direto com fluidos — não respiratória — e como é uma doença em geral grave, com alta letalidade, é bem mais difícil de se espalhar”, explica. Conforme a médica, as pessoas sintomáticas são rapidamente isoladas para conter o surto.
Mesmo assim, a importação de casos pode acontecer através de voos ou navios, mas Caroline reforça que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realiza triagens para isolar passageiros vindos das regiões de surto que apresentem algum sintoma.
“Além disso, alguém que teve contato com pessoas doentes (confirmadas ou suspeitas) entram em isolamento e não podem viajar”, lembra.

O primeiro país a relatar casos em 2023 foi a Guiné Equatorial, na África Central. O Ministério da Saúde e Bem-Estar Social do país relatou ao menos oito mortes entre 7 de janeiro e 7 de fevereiro.
No entanto, a epidemiologista da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Alexandra Boing, chama atenção que, no mundo globalizado as viagens internacionais podem potencializar a disseminação, principalmente com ausência de uma vigilância epidemiológica ativa entre os países.
“É fundamental tomar medidas de precaução para evitar a transmissão do vírus, como lavar as mãos com frequência, evitar contato com fluidos corporais de indivíduos infectados, usar equipamentos de proteção individual adequados e seguir as orientações das autoridades de saúde em caso de surtos da doença”, alerta Alexandra.
Infecção por fluidos
Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de doenças), o Marburg é uma febre hemorrágica viral altamente infecciosa, cujo reservatório natural são morcegos que se alimentam de frutas na África. Ele pode ser transmitido a primatas e humanos por meio de fluidos.
A Caroline Acquaro detalha que “o vírus é transmitido entre humanos por contato da pele ferida ou mucosa com fluidos (sangue, secreções, urina) do doente. É possivel a transmissão através de morcegos também”.
A princípio, quem ainda não apresentou sintomas não podem transmitir a doença, mas é algo que está incerto, segundo a médica. A fase de incubação da doença é em torno de cinco a sete dias, mas pode chegar até 21 dias.

Há grandes chances de a doença evoluir para casos graves, incluindo a morte. A taxa de letalidade varia de 25% a 88%, e depende muito da terapia de suporte, mas ainda não existe tratamento especifico.
A infectologista Renata Zomer detalha que não há um perfil específico de pessoas mais suscetíveis a desenvolver a forma grave da doença. “Todos podem pegar”, alerta.
Origem do vírus
O CDC aponta que o vírus foi descoberto pela primeira vez em 1967, após surtos de febre hemorrágica ocorrem simultaneamente em laboratórios em Marburg e Frankfurt, Alemanha e em Belgrado, Iugoslávia (atual Sérvia).
Na época, 31 pessoas ficaram doentes, incluindo funcionários do laborário, medicos e familiares dos profissionais. Sete mortes foram registradas. Conforme o CDC, os primeiros infectados foram expostos a macacos-verdes importados de Uganda, durante pesquisa dos tecidos dos animais.





