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Justiça de SC limita usucapião e decisão pode impactar regularização de imóveis no Brasil

Conforme entendimento da Corte, recurso não deve ser utilizado em contextos em que existam alternativas viáveis para regularização imobiliária

Redação por Redação
agosto 18, 2025
em Sem categoria
Justiça de SC limita usucapião e decisão pode impactar regularização de imóveis no Brasil

Uma decisão do Grupo de Câmaras de Direito Civil do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) pode mudar a maneira como a usucapião no Brasil é utilizada em causas imobiliárias.

No julgamento de um IRDR (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas), ainda em maio, foi aprovada, por unanimidade, a restrição de uso em contextos em que existam outros caminhos para regularização da propriedade.

Na prática, a Corte catarinense padronizou a interpretação sobre a usucapião no Brasil, inviabilizando a ação mesmo quando havia contrato de compra e venda, e possibilidade de regularização administrativa. A utilização da ferramenta legal é considerada uma alternativa mais barata do que a formalização imobiliária via escritura e registro.

A usucapião é um direito de aquisição de imóvel a partir da posse prolongada da propriedade, além de outros requisitos conforme estabelece o artigo 1.240 do Código Civil brasileiro.

O que muda na aplicação da usucapião no Brasil?

A decisão firmada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ao negar a usucapião por haver alternativas para regularização de um imóvel, servirá como precedente para outros tribunais do país. A decisão, contudo, não proíbe o recurso, mas estabelece um filtro mais rigoroso para sua utilização.

Fachada do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, órgão que proferiu decisão que pode restringir aplicação da usucapião no BrasilDecisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina pode restringir aplicação da usucapião no Brasil – Foto: Cristiano Estrela / NCI TJSC/ND

“Até aqui, havia relativa tolerância judicial quanto ao uso da usucapião nesses casos, desde que houvesse posse prolongada e pacífica, mas a tese firmada pelo TJ de Santa Catarina afasta esse mecanismo usado muitas vezes para driblar as regras de parcelamento do solo e ilidir as custas administrativas e tributárias”, explica David Monteiro, advogado especialista em direito imobiliário no escritório Martinelli Advogados.

As ações de usucapião no Brasil, explica Monteiro, são frequentemente utilizadas para evitar custos tributários, como o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), além das taxas aplicadas por cartórios. “A partir de agora, a tentativa de evitar essas despesas poderá ser interpretada como desvio de finalidade e resultar na extinção do processo”, pontua.

Impactos no mercado imobiliário

Para o especialista, o novo entendimento impacta a regularização de imóveis em fase de estruturação, principalmente quando o histórico de propriedade do bem apresenta lacunas ou informalidades. Loteamentos informais, imóveis em áreas não desmembradas e contratos sem registro passam a exigir maior cautela jurídica por parte dos envolvidos.

Para quem opera no mercado imobiliário, especialmente investidores, loteadores e incorporadores, o uso de estratégias informais de titulação — como pode ser utilizada a usucapião — podem elevar o risco jurídico e comprometer o valor de um ativo.

Decisão pode mudar forma como usucapião no Brasil é determinado – Foto: Freepik/NDDecisão pode mudar forma como usucapião no Brasil é determinado – Foto: Freepik/ND

Os efeitos da decisão foram modulados, ou seja, fazem com que a tese valha apenas para ações de usucapião no Brasil que foram ajuizadas após a publicação da decisão, em 22 de maio de 2025. A medida pode aliviar processos em andamento.

O julgamento do Grupo de Câmaras de Direito Civil do TJSC, em relação a IRDR, pode ser considerado inédito pela força no âmbito estadual e pela sistematização da tese. Na avaliação do advogado, a tendência é que outros tribunais passem a adotar linha semelhante, sobretudo se o STJ (Superior Tribunal de Justiça), no futuro, confirmar a diretriz em recurso repetitivo.

FONTE https://ndmais.com.br/justica/justica-de-sc-limita-usucapiao-no-brasil-pode-mudar-regularizacao-de-imoveis/

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