

Um hambúrguer suculento é um alimento básico na dieta de muitos australianos. No entanto, pesquisas mostram que o consumo regular de carne vermelha pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardíacas e certos tipos de câncer.
Mas será que comer um hambúrguer de carne bovina é pior para a saúde do que comer o bife magro de um animal alimentado com capim? E quanta carne vermelha deveríamos realmente comer?
Tipos de carne vermelha
Em primeiro lugar, é bom esclarecer que a carne vermelha se refere a toda carne muscular de mamíferos. Então isso inclui carne bovina, cordeiro, porco, vitela, carneiro e cabra.
Então podemos distinguir os tipos de carne vermelha pela forma como o animal foi criado e como a carne é processada. Aqui estão alguns termos-chave que você deve saber.
A carne convencional, também chamada de grain-fed, é a carne de animais que são alimentados com pasto durante parte de suas vidas, e que depois recebem uma dieta à base de grãos durante o restante. A maior parte da carne vermelha disponível nos principais supermercados é grain-fed.
A carne grain-fed vem de animais que pastaram durante toda a vida. Isto significa que essa carne tende a ter níveis mais elevados de gorduras insaturadas do que a carne convencional, e é por isso que algumas pesquisas sugerem que ela é mais saudável. A carne grain-fed também custará mais, provavelmente.
A carne orgânica é vista como um produto premium, pois deve atender aos padrões governamentais para produtos orgânicos. Por exemplo, a carne rotulada como orgânica não pode utilizar pesticidas sintéticos ou utilizar hormônios ou antibióticos para estimular o crescimento.
As carnes processadas foram preservadas ao serem defumadas, curadas ou salgadas, ou pela adição de conservantes químicos. Exemplos incluem linguiças, presunto, bacon e salsichas.

Qual é o valor nutricional da carne vermelha?
A carne vermelha contém muitos nutrientes importantes para a saúde, incluindo proteínas, vitamina B12, ferro e zinco. A carne vermelha é uma boa fonte de ferro e zinco, pois eles são mais facilmente absorvidos pelo nosso organismo a partir da carne do que de alimentos vegetais.
A carne vermelha costuma ser rica em gorduras saturadas, mas isso pode variar amplamente, de menos de 1% a mais de 25%, dependendo do corte e da gordura ser cortada ou não. A carne moída normalmente varia de 2% a 9% de gordura saturada, dependendo se é extra magra ou regular.
Para limitar a ingestão de gorduras saturadas, opte por carne moída mais magra e cortes de carne mais magros, como lombos de porco ou bifes bovinos com a gordura cortada.
A carne Wagyu (que traduz simplesmente para Wa = japonês e Gyu = vaca) tem sido apontada como uma alternativa mais saudável à carne vermelha convencional, pois tende a ser mais rica em gorduras insaturadas. Mas pesquisas sobre isso são limitadas e, em última análise, a Wagyu ainda contém gordura saturada.
A carne vermelha faz mal à saúde? E o tipo dela faz diferença?
É amplamente divulgado que comer muita carne vermelha é prejudicial à saúde, porque pode aumentar o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer.
Mas a maior parte das evidências disso vem de estudos observacionais, que não conseguem determinar se a ingestão de carne vermelha realmente causa essas doenças.
A maioria das evidências é observacional porque simplesmente não é ético ou viável pedir a alguém que coma grandes quantidades de carne todos os dias durante muitos anos para ver se essa pessoa desenvolve câncer.
Então, vamos dar uma olhada nas evidências:
Doença cardíaca e diabetes tipo 2
Numa revisão de 37 estudos observacionais, os autores encontraram fracas evidências de uma associação entre o consumo de carne vermelha não processada e doenças cardíacas e diabetes tipo 2.
Mas, para a carne processada, uma revisão recente mostrou que para cada 50g adicionais de carne processada consumida por dia, o risco de doenças cardíacas aumentou 26%, enquanto o risco de diabetes tipo 2 aumentou 44%, em média.
Câncer
As principais organizações internacionais declararam que há fortes evidências de que o consumo de carne vermelha e processada aumenta o risco de câncer colorretal.
Por exemplo, num estudo com quase 500 mil pessoas, cada 50g adicionais de carne vermelha consumida por dia aumentou o risco de câncer colorretal em 18%. E cada 25g adicionais de carne processada consumida por dia, equivalente a uma fatia de presunto, aumentavam esse risco em 19%.
Embora a pesquisa tenha associado o consumo de carne vermelha e processada ao aumento do risco de outros tipos de câncer, como o de pulmão, de pâncreas e de mama, as evidências não são consistentes.
Também faz diferença como a carne vermelha é cozida. Por exemplo, cozinhar um bife em fogo alto, especialmente em fogo aberto, carboniza a parte externa. Isto provoca a formação de compostos químicos que demonstraram causar câncer em doses muito elevadas em modelos animais, e alguns estudos em humanos encontraram uma associação com o aumento das taxas de câncer.







