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ETE do Rio Tavares que ajudaria saneamento no Sul da Ilha está paralisada na Justiça

Iniciada em 2007, a ETE do Rio Tavares é alvo de uma ação do Ministério Público Federal e está na sexta paralisação judicial

Redação por Redação
junho 25, 2025
em Sem categoria
ETE do Rio Tavares que ajudaria saneamento no Sul da Ilha está paralisada na Justiça

Em Florianópolis, a região que mais precisa de soluções para coleta e tratamento de esgoto é o Sul da Ilha. Um dos investimentos que poderia ajudar, a construção da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Rio Tavares e a implantação de redes coletoras, começou em 2007.

Conforme a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), no entanto, impasses judiciais interromperam mais uma vez as obras e adiaram a conclusão. A partir da retomada, ainda serão necessários 18 meses de trabalho.

Com as ETEs Ingleses e João Paulo, a Casan sustenta que Florianópolis terá capacidade instalada para 74% de cobertura e, com a do Rio Tavares, de 79%. O número ainda fica bem abaixo da meta de 90%, prevista para ser atingida em 2033, e definida pelo Marco Legal do Saneamento.

De acordo com a Casan, há dois grandes entraves para a construção da ETE Rio Tavares. O primeiro é a falta de LAP (Licença Ambiental Prévia), relacionada ao lançamento de efluente tratado. Isso impediria o avanço dos trabalhos, mesmo com a LAI (Licença Ambiental de Instalação) em vigor.

O segundo entrave é a decisão judicial que liberou a LAI, mas proibiu as ligações e a operação para coleta e tratamento de esgoto, impossibilitando o funcionamento do sistema. A decisão é da 6ª Vara Federal de Florianópolis e foi despachada em 29 de maio pelo juiz Marcelo Krás Borges.

O caso é discutido numa ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal), que tem como réus Casan, IMA-SC (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Caixa Econômica Federal. O município de Florianópolis é parte interessada no processo.

ETE do Rio Tavares possui entraves na justiça ETE do Rio Tavares possui entraves na justiça  – Foto: Site MPF/Reprodução ND Mais

Investimento de R$ 200 milhões na ETE do Rio Tavares

O processo de licenciamento da ETE do Rio Tavares transcorre desde 2005. A Casan diz que 90% da parte de concreto armado da ETE está pronta, e o sistema de esgotamento sanitário como um todo (incluindo ETE, elevatórias e redes coletoras) 30% concluído. Até o momento, foram investidos R$ 200 milhões. A Casan reclama que, entre 2009 e 2024, foram cinco embargos da LAI.

Governador de Santa Catarina, Jorginho Mello ressalta que a subestação de tratamento de esgoto do Sul da Ilha está em obras há 20 anos e criticou o sexto embargo.

“A discussão é antiga. Onde despejar o efluente depois de tratado? No Rio Tavares e na baía não querem. Efluente tratado tem que ir para algum lugar. É tratado. Mais de 90% de pureza. O órgão ambiental acha ruim despejar efluente tratado. Será que o não tratado, despejado atualmente, é melhor?”, questiona.

“A obra da ETE do Rio Tavares se tornou um verdadeiro calvário, culminando agora com a decisão judicial recente que libera a LAI, mas com destaque para a proibição de qualquer operação para a implantação de tratamento de esgoto, impossibilitando a autorização para as ligações, o que impede o funcionamento efetivo da ETE”, diz o presidente da Casan, Edson Moritz.

Lançamento de efluente tratado

A Casan sustenta que executou um robusto estudo de alternativas para disposição de efluente tratado e que a alternativa mais viável, técnica e ambientalmente, é o lançamento de efluente no Saco dos Limões. A companhia protocolou pedido de LAP no IMA para o lançamento no local.

O Instituto pediu estudos complementares, referentes à modelagem do lançamento de efluentes, ao impacto na fauna e na flora e ao diagnóstico socioambiental.

Lançamento do efluente tratado será no Saco dos LimõesLançamento do efluente tratado será no Saco dos Limões – Foto: Marco Santiago/ND

Desde agosto de 2024, a Casan tem um contrato de modelagem, apresentado em reuniões periódicas ao IMA. Desde fevereiro deste ano, um contrato para análise de fauna e flora e de diagnóstico socioambiental. A expectativa é obter a LAP ainda este ano para viabilizar o projeto e o protocolo da LAI.

A companhia diz que a ETE Rio Tavares foi dimensionada para atender todo o Sul da Ilha, mas com os entraves, estuda uma alternativa com modelo descentralizado e ETEs menores no Campeche, Tapera, Carianos e Pântano do Sul, começando pelo Pântano do Sul.

O pedido de aprovação do projeto será protocolado nos próximos dias junto à Floram (Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis). Havendo sinalização positiva, a Casan vai licitar as obras necessárias, estimadas em R$ 60 milhões. O prazo da obra é de 24 meses.

“Guerra de narrativas”, diz engenheiro sanitarista

Engenheiro civil e sanitarista, Yuli Mello Dugaich acaba de voltar da África, onde estudou a reestruturação da companhia de saneamento de Angola. Na visão dele, o assunto saneamento em Florianópolis e em Santa Catarina virou guerra de narrativa.

“Cada um fala um número e ninguém está preocupado com a qualidade do número”. Lembra que o contrato da Casan com o município vai até 2032, que a ETE dos Ingleses e a do João Paulo deveriam ser entregues em 2007 e que ambas não estão operando.

Sobre a ETE Rio Tavares, o engenheiro também apresenta uma crítica. “Apenas em 2024, quase duas décadas depois, a Casan contratou estudos fundamentais para o licenciamento ambiental adequado da alternativa de lançamento de efluente tratado. Isso revela uma contradição evidente: se o projeto é considerado prioritário desde 2005, por que a empresa levou 17 anos para iniciar a modelagem hidrodinâmica e os estudos de impacto ambiental?”, pergunta Dugaich.

O engenheiro sanitarista também questiona os índices de cobertura apresentados. “Estão falando que Florianópolis tem 70% de cobertura e vai chegar a 86%, mas a ETE João Paulo não está operando e a dos Ingleses tem uma vazão irrisória”, afirma.

Ele também rebateu a fala do governador: “Esgoto tratado, com 90% de pureza, não pode ser lançado na baía, em águas confinadas. Isso não ajuda a dispersão e gera uma concentração, como se estivesse lançando numa lagoa. Tem que ir para o outro lado, onde o ambiente é muito mais favorável para a dispersão.”

Fonte https://ndmais.com.br/meio-ambiente/ete-do-rio-tavares-que-ajudaria-saneamento-no-sul-da-ilha-esta-paralisada-na-justica/

 

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