Inúmeros são os exemplos de doenças infecciosas causadas por vírus, bactérias e outros agentes etiológicos que surgiram e seguem acometendo pessoas em alguns países, embora em escala menor do que antes.
A epidemia de HIV/Aids, que provocou pânico global nas décadas de 1980 e 1990, tornou-se, com o tempo, uma endemia, isto é, com o advento de potentes antirretrovirais, além das profilaxias pré e pós-exposição e as campanhas de incentivo à testagem e ao uso de preservativo, a circulação do vírus diminuiu e a mortalidade despencou.
No final dos anos 2000, a pandemia de gripe A H1N1 também preocupou o planeta, mas logo uma vacina foi introduzida no calendário anual de imunização e, com isso, houve redução nas infecções e a prevenção de formas graves e mortes pela doença.
Em 2003 e 2012, houve a circulação da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), respectivamente, mas esses vírus não tiveram disseminação global. Já o novo coronavírus se comportou de forma bem distinta e acendeu o sinal vermelho das autoridades sanitárias e da comunidade científica.
Desde 11 de março de 2020 vivemos uma nova, preocupante e mortal pandemia, iniciada em uma cidade da China meses antes e que rapidamente se alastrou por todo o mundo, matando, lamentavelmente, mais de 4,4 milhões de pessoas até o momento, na mais trágica emergência sanitária dos últimos cem anos.
As vacinas, desenvolvidas em tempo recorde, mais uma vez entraram em ação para salvar vidas, mas ainda estamos longe de controlar a circulação do vírus e de suas variantes, com especial destaque para a Delta. Além de tomar o imunizante, o uso de máscaras e as medidas de higiene pessoal continuam sendo fundamentais para evitar o contágio e a disseminação da doença. Ao menos até o final deste ano a máscara em locais públicos ainda será item obrigatório no Brasil.
Com o avanço da vacinação, é esperada, como já estamos observando, a queda gradativa no número de casos, hospitalizações e óbitos, mas isso não é, de forma alguma, motivo para baixar a guarda.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já sinalizou que a Covid-19 poderá se tornar uma doença endêmica, embora não com os altos níveis de transmissão atual em várias regiões do mundo. Isso significa que o Sars-Cov-2 permanecerá circulando, mas não de maneira tão intensa e expressiva como hoje.
O Ministério da Saúde brasileiro trabalha com a possibilidade, cada vez mais real, de termos campanhas anuais de vacinação contra o novo coronavírus, como já ocorre em relação ao vírus Influenza, causador da gripe. Além disso, temos sempre que lembrar, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi evidenciado nesta pandemia, proporcionando respostas positivas na assistência aos pacientes.
Estuda-se também reforçar em breve a imunização de profissionais de saúde e idosos já vacinados com uma dose adicional. Não por acaso está em curso o desenvolvimento, por laboratórios públicos e privados, de uma segunda geração de vacinas, produzidas com cepas das variantes que surgiram.
Não há data para a pandemia de Covid-19 acabar. Temos ainda um longo caminho a percorrer até que a situação epidemiológica se estabilize. A avaliação do cenário atual permite vislumbrar um futuro com muito menos infecções, internações e mortes, mas teremos de aprender a conviver por muito tempo com o Sars-








