
O Banco do Brics, como é conhecido o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), planeja começar a emprestar em reais ainda neste ano, segundo fontes próximas da instituição presidida por Dilma Rousseff.
Na cúpula do Brics, em Joanesburgo, ela tratou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer ‘o quanto antes’’ a primeira captação em reais, na estratégia de gradualmente reduzir a dependência em relação ao dólar, segundo as fontes.
Nas conversas com Lula, Dilma foi além e avisou que o banco terá mais US$ 1 bilhão para emprestar ao Brasil no segundo semestre. No primeiro semestre, o Brasil foi o sócio que teve menor volume de financiamentos aprovados, somando US$ 583 milhões (as operações com a Rússia estão congeladas).
Recentemente, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, mencionou uma operação de US$ 500 milhões com o Banco do Brics que deveria ser anunciada proximamente. Para uma fonte, essa poderia ser a captação já em reais.
Na cúpula do Brics, Dilma Rousseff relatou aos líderes que o banco, nos últimos cinco meses, retornou ao mercado 13 vezes, levantando fundos em renminbi, dólares americanos, dólares de Hong Kong e rands sul-africanos, totalizando US$ 4,3 bilhões. A primeira emissão na África do Sul foi de 1,5 bilhão de rands, ou cerca de US$ 80 milhões.

‘Estamos em estágio avançado de obtenção das aprovações necessárias para emitir títulos em rúpias na India e também iniciamos estudos legais para nos capacitar a captar recursos em reais brasileiros’, disse ela.
A expectativa é de que a operação em rúpia na India ocorra já em outubro. Conforme o plano do banco 2022-2026, preparado antes de Dilma chegar à presidência, 30% de todo o financiamento fará uso de moedas dos países membros.
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Dilma Rousseff destacou que o financiamento de moeda local dos países membros ajudará a eliminar os riscos que a exposição às taxas de cambio e às taxas de juros internacionais representam para o financiamento dos mutuários soberanos e privados, para lhes proporcionar custos mais baixos e maior segurança.
Mas tentativas de desdolarização tem seus limites. Operações em moeda local vão ocorrer. O que ninguém ignora é que recursos realmente abundantes estão justamente em dólar e em euros.
Além disso, dentro do próprio Brics o compromisso de uso de moedas locais no comércio e em transações financeiras entre eles sofre reações da India. Nova Deli acha que isso só aumentaria a dominação da China no bloco e reforçaria o renminbi.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, reconheceu a dificuldade no grupo: ‘ Continuaremos as discussões sobre medidas práticas para facilitar os fluxos de comércio e investimento por meio do aumento do uso de moedas locais. Esse é um assunto [sobre o qual] acreditamos que mais discussões precisam ser realizadas, especialmente entre nossos
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No total, o Banco do Brics já apoiou 98 projetos, correspondendo a US$ 33 bilhões. Recentemente, Dilma pediu ao Conselho de Administração para aumentar o total autorizado de empréstimos para 2023, de US$ 6 bilhões para US$ 10 bilhões. Para 2023-2024, a instituição tem um pipeline de 78 projetos, totalizando US$ 18,2 bilhões.
‘Estou comprometida em garantir que nosso trabalho seja feito sem impor condicionalidades ligadas a qualquer política pública ou projeto privado. Nosso apoio financeiro é fornecido sem condições onerosas’, afirmou a presidente do banco na cúpula do Brics.
Dilma Rousseff deverá acelerar as negociações também para a entrada de novos sócios para o banco ‘funcionar como uma verdadeira plataforma de cooperação entre os países do Sul Global’.
Agora, dos seis países convidados a entrar no Brics a partir de 2024, Emirados Árabes e Egito já são membros do banco. A Arabia Saudita é aposta certa para aderir à instituição financeira. Entre Irã, Argentina e Etiópia, o mais provável é que os iranianos entrem primeiro no banco, garantidos por reservas internacionais relativamente elevadas a se c
Uma proposta que vinha sendo discutida até recentemente era de priorizar a entrada de países emergentes com relativo bom rating de crédito para melhorar o rating do próprio NDB. A exceção nessa discussão foi, isso desde o governo anterior, a busca do Brasil em promover a entrada da Argentina.
Da América Latina, as prioridades eram Panamá, Colômbia, Chile e Uruguai. O Uruguai foi o único que avançou. Na África, Botswana é o que tem a melhor nota de crédito. Na Asia, tem a Malásia, Tailândia e Indonésia, mas esses ‘jogam parados’, na expressão de um negociador.
A Rússia por sua vez veta na prática a adesão de países que aplicam sanções contra ele, o que tira a possibilidade de praticamente todos os países europeus de uma eventual participação no Banco do Brics. Até um passado recente, países como Suíça e Luxemburgo estavam na lista de especulações para entrar na instituição.
FONTE https://valor.globo.com/opiniao/assis-moreira/coluna/banco-do-brics-quer-fazer-primeira-emissao-em-reais-ainda-neste-ano.ghtml






