Dos nove governantes estaduais que fizeram dobradinha com atual presidente, apenas quatro falam em reeditar campanha
Aliados dizem que Caiado mostra contrariedade com a insistência do presidente em atitudes negacionistas. Além disso, o goiano ainda tem sofrido com ataques duros de bolsonaristas nas redes sociais. Por isso, a ideia é manter um palanque aberto a presidenciáveis de partidos que o apoiem Goiás.
— O Bolsonaro tem uma característica de usar os seus apoiadores, e nisso entra o grupo de governadores. Na eleição ele usou o máximo, assim como os governadores o usaram também. Mas nesses dois anos de governo há uma série de colapsos, institucionais, sanitários, de renda, e os governadores que querem se reeleger vão pensar se, no cálculo político, vale a pena manter uma proximidade com Bolsonaro — analisa a cientista política Carolina Botelho, pesquisadora do Laboratório de Neurociências Cognitiva e Social/Mackenzie e associada do Doxa/Iesp/Uerj.
Caminho neutro
Em Minas, Romeu Zema (Novo) começou a se descolar do governo nas últimas semanas. O entorno de Zema sustenta que ele busca um caminho de neutralidade, a fim de evitar a rejeição de um presidente que enfrenta hoje seus piores índices de avaliação. Mas a crise fiscal mineira ainda impede um afastamento mais definitivo.
Tenho que resolver os problemas do estado e preciso do governo federal. Minas vai aderir ao regime de recuperação fiscal. Quando você ataca a pessoa, você diminui a chance de resolver o problema — afirma Zema, dizendo ser “prematuro” falar em palanques em 2022.
Outro aliado do presidente que tem se afastado é o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Lima chegou a homenagear o presidente com o título de “cidadão do Amazonas” em abril, mas o xadrez político local tem levado o governador a se distanciar. Ao mirar a reeleição, Lima não quer se isolar no campo da direita num estado onde os partidos de esquerda têm capilaridade no interior.
A relação com Bolsonaro já havia tido momentos de tensão durante a crise de falta de oxigênio em Manaus em janeiro e se deteriorou nas últimas semanas, com a CPI da Covid. Na terça-feira, Lima foi alvo de buscas da Polícia Federal sob suspeita de desvios na área da saúde.
Em sua cruzada contra medidas restritivas adotadas pelos estados para tentar conter o avanço da Covid, Bolsonaro não tem poupado nem governadores aliados. Em março, o governo federal questionou no STF decreto do Distrito Federal que determinava o fechamento de serviços não essenciais. O episódio causou atrito com o governador Ibaneis Rocha (MDB).







