
Pela primeira vez, a Dinamarca reintroduz na vida selvagem uma raça de gado doméstico similar a uma espécie de vaca gigante extinta em 1627. O Tauros, que leva o nome do projeto da Fundação Taurus, dos Países Baixos, é uma espécie criada geneticamente por meio do cruzamento de várias raças até se aproximar do ancestral extinto em 1627.
Estamos falando do auroque, boi selvagem que deu origem à espécie domesticada Zebu e chegou a ter uma altura de 1,80 metros na Dinamarca, mas habitava quase toda a Europa. Por isso, em 2008, a Fundação Taurus decidiu se juntar às organizações Rewilding Europe e ARK Nature para reintroduzir a vaca gigante que habitou não somente a Dinamarca, mas toda a Europa.

“Para distinguir o animal de seu ancestral extinto, esta espécie se chamará Tauros, que em grego significa touro”, diz o livro “Tauros: Born to Be Wild”, publicado em 2022 pela Rewilding Europe.
No início deste ano, a Grazelands Rewilding, antiga Fundação Taurus, cutucou empresas de biotecnologia que afirmam reviver animais extintos, como a Colossal dos lobos gigantes.
Em 2015, aliás, a Grazelands Rewilding, com o apoio de Universidades locais e da Irlanda, conseguiu decodificar o genoma dos auroques, firmando uma parceria com a Rewilding Europe para iniciar o processo de cruzamento de raças.
O processo usou nove descendentes do auroque e ocorreu em seis países da Europa, que reintroduziram o animal. Antes da Dinamarca, em 2022, Espanha, Portugal, Croácia, República Tcheca, Romênia e Holanda reintroduziram a espécie similar a vaca gigante extinta.

Aliás, em 2023, a Rewilding Europe lançou o documentário “O Retorno do Auroque”. Veja o trailer:
Tauros na Dinamarca: espécie vai preencher lacuna da vaca gigante
Também em 2023, a Dinamarca, através da Fundação Hempel, começou o processo de introduzir a antiga espécie da vaca gigante extinta.
O local de reintrodução da espécie, bem como da vida selvagem na Dinamarca, foi a reserva Saksfejd. Próxima à outra reserva de proteção de pássaros, a Dinamarca visa ampliar a biodiversidade local.
Os 30 Tauros que já estão na reserva desde o dia 20 deste mês vão preencher a lacuna dos auroques originais, bem como seu papel no ecossistema.
“O Tauros foi criado através de um programa internacional de cruzamento de raças sem usar manipulação genética, contando apenas com a junção de seis das raças mais antigas do Sudeste e Leste da Europa, genética e fisicamente mais próximas aos auroques”, diz um comunicado da Fundação Hempel.
De acordo com o comunicado, as raças originais usadas no cruzamento mantiveram muitas das características naturais de touros selvagens. Portanto, vacas domésticas possuem traços similares ao animal gigante, cuja nova versão da Dinamarca também pode chegar a 1,80 metros, tal qual o ancestral extinto em 1627.
A intenção de reintroduzir uma espécie similar ao auroque na Dinamarca é a importância de grandes herbívoros para outras espécies. Os Tauros criam habitats que muitas espécies ameaçadas dependem para sobreviver.
“Nossa intenção de inserir o Tauros na reserva é para restabelecer a função primordial do auroque na natureza dinamarquesa”, afirmou Thor Hjarsen, biólogo que liderou o projeto na Dinamarca.
Com os 30 animais na reserva da Dinamarca, esta é a primeira vez que o Tauros chega a um país da Escandinávia.
“Com a reserva Saksfjed, queremos colaborar com pesquisadores e testar novos métodos para investigar como podemos criar a maior biodiversidade possível e restaurar a natureza selvagem da Dinamarca com custo eficiente, mas de forma escalonável, acelerando a reintrodução de áreas maiores”, afirmou Anders Holm, diretor-executivo da Fundação Hempel.

Veja o processo de introdução do animal na Dinamarca:
FONTE https://gizmodo.uol.com.br/dinamarca-apresenta-descendente-de-vaca-gigante-extinta-em-1627/





